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A áudio série

Ainda no século primeiro da Era Cristã, o filósofo romano Cícero constatava que a gente se familiariza tanto com os objetos vistos diariamente, que não os admiramos mais e sonhamos pesquisar as suas origens. 

 

E também se referindo ao tido como comum, o etnógrafo Bruno Schier nos recomenda considerar como fontes históricas os fenômenos cotidianos cujo valor testemunhal de modo algum é inferior às crônicas e documentos antigos. Diz Schier: “Da ornamentação de um pórtico e de um instrumento agrícola, da forma de uma casa e da boina de uma mulher, pode-se haurir mais informação de História da Civilização do que de muitos molhos de atas dos nossos arquivos”.

 

Com base nos estudos etnográficos do antropólogo e historiador Luís da Câmara Cascudo, a áudio série É Tudo Folclore! olha as coisas cotidianas com atenção, pra revelar as histórias — e a História — por trás do comum, daquilo que parece já definitivamente incorporado à nossa paisagem mental. Composta por 4 episódios, É Tudo Folclore! analisa alguns saberes, práticas culturais e representações tradicionais, como: superstições e costumes, mitos brasileiros, ditados populares e a rede de dormir. Tudo isso, folclore — ou, se você preferir, cultura popular: uma obra coletiva, anônima e que não tem tempo, no sentido de que é muito difícil, senão impossível, rastrear as suas origens.

 

Com cerca de 150 livros que vão da literatura à gastronomia, e da mitologia à geografia, Câmara Cascudo parece ter seguido à risca a frase de Tolstoi quando este recomenda que, se você deseja ser universal, deve começar por pintar sua própria aldeia. E, de fato, ao falar da sua aldeia — o Brasil no geral e o Nordeste em particular —, o etnógrafo potiguar acabou falando do mundo todo. Com um olhar e uma verve afiadíssimos, Cascudo é sobretudo uma prova de que a erudição não precisa ignorar ou desvalorizar o saber popular. “Ouvir o povo vale uma universidade”, dizia.

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